Hoje a pecuária requer ainda mais transparência, qualidade e sustentabilidade. E dois conceitos têm ganhado destaque entre produtores e consumidores: rastreabilidade e certificação. Embora muitas vezes confundidos, esses dois processos têm finalidades distintas e complementares. Entender a diferença entre eles é fundamental para quem deseja agregar valor à produção, conquistar novos mercados e atender às exigências dos consumidores e das legislações nacionais e internacionais.
Neste artigo, vamos explorar em profundidade o que é a rastreabilidade animal, o que são as certificações agropecuárias e de que forma esses elementos contribuem para uma cadeia produtiva mais segura, eficiente e valorizada.
O que é rastreabilidade animal?
A rastreabilidade individual é o processo de registrar e acompanhar todas as etapas da vida de um animal desde o nascimento até o abate, passando por manejo, alimentação, vacinação, transporte, entre outros dados relevantes. Em outras palavras, é um sistema que permite saber de onde vem o animal, por onde ele passou e em quais condições foi criado.
No Brasil, a rastreabilidade também ganha cada vez mais destaque, especialmente com a implantação do PNIB (Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos). O programa busca estabelecer um sistema nacional e padronizado de identificação individual dos animais, garantindo transparência, controle sanitário e acesso a mercados internacionais. Com o PNIB, cada bovino e búfalo receberá um código único de identificação, permitindo acompanhar seu histórico completo desde a fazenda de origem até o produto final.
A principal função da rastreabilidade é garantir transparência e controle sobre a produção. em caso de problemas sanitários ou irregularidades, é possível rastrear rapidamente a origem do problema e agir com precisão.
Além disso, a rastreabilidade fortalece a confiança do consumidor e a segurança alimentar, ao garantir transparência sobre a origem e o percurso da carne até a mesa. Países como o Uruguai, referência mundial por rastrear todo o seu rebanho desde 2011, e a União Europeia, que em breve exigirá rastreabilidade individual dos bovinos para importação, mostram que essa prática é uma tendência global. Mais do que atender exigências de mercado, ela representa um compromisso com a qualidade, a sustentabilidade e a confiança em toda a cadeia produtiva.
O que é certificação animal?
Já a certificação animal vai além da rastreabilidade, ela envolve um processo de verificação e validação por parte de um órgão certificador, que atesta que determinado produto ou sistema de produção está em conformidade com critérios técnicos, ambientais, sociais e/ou sanitários previamente estabelecidos.
Em outras palavras, a certificação é um selo de garantia que pode indicar, por exemplo, que a carne foi produzida obedecendo aos critérios de bem-estar animal, sem desmatamento ilegal, com uso racional de recursos naturais ou ainda que atende a padrões específicos de qualidade exigidos por determinados mercados internacionais.
Existem diversos tipos de certificações no setor agropecuário, como:
- certificação de bem-estar animal
- carne carbono neutro
- carne orgânica
- produção sustentável
- certificação halal e kosher (para mercados religiosos específicos)
Esses selos são geralmente conferidos por órgãos certificadores, que seguem protocolos reconhecidos e auditam os sistemas de produção para garantir que todos os requisitos estão sendo cumpridos.
Onde entra a certificadora?
A certificadora é a empresa ou entidade independente responsável por avaliar, auditar e emitir o certificado para um produtor, frigorífico ou cooperativa, ela atua como uma espécie de “auditor externo”, assegurando que os critérios estabelecidos para determinada certificação estão sendo cumpridos à risca.
Essas certificadoras devem ser creditadas por organismos reguladores, como o Inmetro, no Brasil e precisam seguir padrões internacionais de auditoria, como os da ISO/IEC 17065, uma norma internacional que estabelece os requisitos para organismos que certificam produtos, processos e serviços, garantindo que eles operem de forma competente, consistente e imparcial. O papel da certificadora é garantir que a certificação não seja apenas uma alegação, mas sim uma comprovação técnica e confiável, baseada em evidências.
Portanto, quando um produto ostenta um selo de certificação, isso significa que passou por um rigoroso processo de avaliação e foi aprovado por uma instituição imparcial.
Rastreabilidade e certificação: complementares, não concorrentes
Um ponto importante é que rastreabilidade e certificação não são excludentes, são complementares. A rastreabilidade fornece as informações básicas e essenciais sobre a origem e o histórico do animal, enquanto a certificação atesta que esse animal (ou o sistema em que ele foi criado) atende a critérios de valor agregado.
Ou seja, a rastreabilidade é o alicerce da transparência, e a certificação é a validação de que essa transparência atende a padrões específicos.
- Para ficar mais claro, imagine o seguinte exemplo: um produtor rastreia todos os seus animais, desde o nascimento, registrando dados sobre alimentação, vacinação e transporte. Essa rastreabilidade individual é essencial para atender exigências sanitárias e garantir a segurança da carne. No entanto, se ele quiser acessar mercados que exigem carne com selo de bem-estar animal, por exemplo, ele precisará obter uma certificação específica, que será concedida apenas após uma auditoria de certificação.
Por que isso é importante para o produtor?
Com a implementação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), entender a diferença entre rastreabilidade e certificação tornou-se essencial para qualquer pecuarista que queira se manter competitivo e preparado para as novas exigências do setor. A rastreabilidade, garantida pelo PNIB, é a base sobre a qual as certificações de qualidade, origem e sustentabilidade são construídas.
Adotar práticas alinhadas ao PNIB permite ao produtor:
- agregar valor à produção: produtos certificados tendem a ser melhor remunerados no mercado, pois transmitem mais confiança ao consumidor final.
- atender mercados exigentes: União Europeia, Japão e Estados Unidos, por exemplo, têm exigências rigorosas quanto à rastreabilidade e às certificações específicas.
- reduzir riscos e aumentar a eficiência: a rastreabilidade permite controle mais preciso sobre a produção e facilita a gestão sanitária e econômica da propriedade.
- fortalecer a imagem do negócio: selos de certificação ajudam a construir uma reputação positiva junto aos clientes e consumidores.
Além disso, muitos programas de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental estão ligados a critérios certificados, o que pode atrair investidores, parceiros comerciais e linhas de crédito mais vantajosas.
Conclusão
A rastreabilidade e a certificação são dois pilares essenciais para uma agropecuária moderna, responsável e voltada para o futuro. Enquanto a rastreabilidade oferece transparência e controle sobre a origem dos produtos, a certificação representa uma validação oficial da qualidade e da sustentabilidade do sistema produtivo.
Para o produtor rural, compreender e investir nesses processos pode representar a diferença entre competir apenas no mercado interno e conquistar espaço em mercados mais exigentes e lucrativos. Mais do que isso, é um passo em direção a uma produção mais ética, segura e valorizada do campo até a mesa do consumidor.
Se você é produtor e ainda tem dúvidas sobre como iniciar a rastreabilidade do seu rebanho ou obter uma certificação específica, busque apoio técnico especializado e procure empresas certificadoras confiáveis. O investimento em informação e qualidade sempre retorna em forma de mercado, valorização e rentabilidade.
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